sexta-feira, novembro 26, 2004

Chuva de verão intermitente, num dia sem fins

A chuva e o baque entre ela e a janela: é como um grito que ecoa no meu alvorecer. Eu aqui, cheio de cultura em cima dos papéis, cheio de notas pra tomar, cheio de vidas e até mesmo providências. De que me importam estas vidas? Não as viverei nem serei dono de outra idéia qualquer. Um dia intermitente sempre tem cara de morto. Ainda me pergunto isso. Mesmo sem vontade de escrever, retomo tudo, como se precisasse completar uma essência em mim, me refugiando no que não existe. Um dia intermitente tem cara de papel fosco, de pão de padaria. Tenho duas provas e algumas partituras pra ler. Tomo-as em minhas mãos e solvejo algumas notas. Nota zero em qualquer coisa que tente demonstrar por absurdo que não sou eu que escrevo. Nota mi, a música começa com um mi na parte dos tenores. Eu vou cantar provavelmente esta parte, e murmurar os pedaços que não conseguir. A chuva e a tecla do piano, não existe dia intermitente, nem chuva que não tenha fim.

Eu estou escrevendo dois contos. Os dois vieram de idéias da minha cabeça. Mas creio que me apeguei a um deles, porque se aproxima da realidade. Usei personagens que existem, sem descrições. Não quero descrições, porque elas [as personagens] não existem de verdade. São fruto da realidade. Tudo que é real não é intermitente. Tudo que mora em mim é puramente fictício, desde minha primeira conversa com uma pessoa até o último suspiro que hei de dar. Alguém escreve minhas linhas, como escrevo a doce história do pobre Hugo.

A chuva cessou lá fora, como disse não há chuva sem fins...

sexta-feira, novembro 12, 2004

Para fins comemorativos, em dias intermitentes

É, aniversário serve pra muitas coisas, inclusive ver que você é [ou não] lembrado ou até mesmo amado. Daqui em diante o dia de hoje vai ser o mais importante =]

segunda-feira, novembro 08, 2004

Para dias intermitentes, o que resta é uma chuva sem fins...

Hoje o dia amanheceu cinzento, como se prevesse meu estado de espírito; como se de mim retirasse toda a nebulosidade, cautelosamente exposta, e a expelisse para o ar, fazendo formar densas nuvens, massantes e tão exuberantemente pairadas pela imensidão do céu, que há de se confundir por certo se o que se vê sou eu, ou apenas o firmamento, que se quis pintar de cinza. Não existe porquê na minha desalegria, ou pelo menos, não consigo vê-lo. Assim como as frentes frias e as nuvens: não se sabe por que estão lá, mas elas existem e vivem quase que desapercebidas pela multidão terrena.

Hoje acordei me sentindo nublado e sozinho, como se uma única nuvem pudesse se estender tanto, mas tanto, que solitária ela pudesse cobrir toda a vista para o azul, que em outros dias tão vigoroso era refletido pela cor do mar. E hoje, vindo pela rua, o mar parecia tão calmo, tão sereno, que, por um segundo, confundi-me com as ondas pequenas que intermitentemente batiam-se umas nas outras, como se procurassem todas juntas, as margens de um vasto oceano, e, pelo desandar da vida, acabassem por se espatifar e deixar de existir.

Tudo imprimiu, então, uma morbidez, um estado de catalepsia mental, onde a lentidão e a divagação foram tomando conta. O pelicano, pensei, este continua a rufar as asas, e cair tão pacientemete no mar, tendo despojado já seu alimento há alguns minutos. Inveja em mim esta paciência, esta concentração em existir, esta plenitude de ser.

Hoje o dia amanheceu tão cinzento que nem chuva caiu, está retidas lá, esperando, assim como o pelicano, despojar alguma pobre vítima...

quinta-feira, novembro 04, 2004

Para fins tão ínfimos, que haja linha intermitente...

Não sei o que dói mais: ser e não ter ou ter e não ser...